relaxe e divirta-se

Relaxe, divirta-se, descanse!

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Isto não é brincadeira: excesso de trabalho e de compromissos pode matar

"Eu acordava às 7h, arrumava-me, tomava café e já saía para trabalhar. Muitas vezes ficava direto sem almoçar, até as 19h. Depois, ia para casa ajudar no dever escolar das crianças, aprontar o jantar, cuidar das tarefas domésticas, das meninas, e colocá-las na cama. Até que um dia…"

"Então, eu tive um ataque de frescura?" Foi essa a pergunta feita pela pedagoga paulista Renata Rolim Prudente Ferreira, 40 anos, ao médico que a atendeu no hospital depois de ser levada às pressas pelo marido, queixando-se de dor no peito e muita falta de ar. Após o episódio, uma crise de pânico no trabalho, diversos exames, passagem por psicóloga e psiquiatra e o diagnóstico: depressão e distúrbio de ansiedade.

"Eu não posso estar doente!", afirmava Renata a si mesma e aos outros, em um processo de negação ao problema, já que sua rotina diária incluía de 10 a 14 horas de trabalho, cuidados com as duas filhas, de 5 e 7 anos, e uma noite de sono de apenas quatro ou cinco horas. "Ainda acordava na madrugada para ir até quarto das meninas saber se estava tudo bem. Meu sono é muito leve", acrescentou.

Esse relato é apenas um entre tantos ouvidos hoje em dia. Dedicar-se de modo excessivo à profissão se tornou hábito muito comum no século 21, mas não é exclusividade dessa geração. Há tempos convivemos e aplicamos em nossas vidas a ideia de que "o trabalho enobrece o homem".

Descansar é preciso

A clássica frase do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) foi adaptada pelo pensador Nelson Barh, que concorda com a máxima, mas defende ser o descanso ainda mais enobrecedor.

"Esta síndrome (burnout) vem sendo estudada desde a década de 1970,
e a tendência é que a cada dia mais trabalhadores sofram com a doença" Magda de Oliveira Costa, psicóloga e analista de RH

Os avanços tecnológicos e a constante necessidade de inovações criam pressões sobre o trabalhador, que precisa entregar resultados e se adequar a mudanças com muita rapidez. Uma realidade que exige força física e mental, tanto como nas demais atividades semanais. E é justamente esse cenário que tem gerado situações estressantes, causadoras de exaustão física e emocional.

O fato é que, mesmo em dias de folga, quando realmente deveria haver descanso, dificilmente somos capazes de nos desligar. São convites irresistíveis e compromissos "inadiáveis", tarefas em casa há muito tempo adiadas e que, exatamente naquela oportunidade de ócio, decidimos que devem ser realizadas com urgência. Isso sem falar daquela pendência no trabalho que pode ser resolvida.

O descanso adequado é extremamente importante para a saúde e o bem-estar, tanto quanto a alimentação saudável e a prática frequente de atividades físicas, garantem os especialistas.

Relaxe!

O sono é essencial para manter a mente equilibrada e o corpo saudável. Dá ao organismo a possibilidade de se regenerar e ajuda a curá-lo. O repouso fortalece o sistema imunológico e pode acrescentar anos de vida.

Sem for insuficiente, a energia para o dia a dia será tirada das reservas. E quando isso acontece habitualmente, é de se esperar resistência mínima às doenças ou mesmo o aparecimento de outras novas. Ansiedade, mau humor, aumento do risco de engordar e aceleração do envelhecimento engrossam a lista de complicações.

O QUE É BURNOUT

O termo burnout (queimar por completo), que só se aplica no ambiente laboral, foi criado pelo psicanalista germano-americano Herbert Freudenberger, em 1974, para descrever o adoecimento que observou em si e em colegas. Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.

O assunto merece mesmo atenção. Descansar não se resume a simplesmente dormir de seis a oito horas por noite. A qualidade do sono é muito importante para nos sentirmos renovados, mas também é essencial fazer pausas na rotina quando estamos acordados.

Para alguns, não fazer nada é a melhor opção, enquanto outras pessoas entendem que aderir a uma atividade esportiva ou artística é a melhor maneira de desafogar a mente.

O compromisso com o descanso deve ser o mesmo assumido com o trabalho. Pode ser tanto uma boa noite de sono quanto um momento de lazer, fazendo o que se gosta, aponta o psiquiatra e professor universitário Rodrigo Eustáquio Teles Vieira. "É o que eu digo aos meus pacientes inclusive: o descanso é uma necessidade física e psíquica. É o momento em que recarregamos nossas energias", completou.

O processo do sono é composto por cinco etapas

Primeira fase
Adormecimento. Pode durar até 15 minutos. É uma espécie de zona intermediária entre estar acordado e dormindo. O cérebro produz ondas irregulares e rápidas, a tensão muscular diminui, e a respiração se torna mais leve.

Segunda fase
Sono mais leve. A temperatura e os ritmos cardíaco e respiratório diminuem, e o indivíduo é definitivamente conduzido ao limite entre estar acordado e dormindo.

Terceira fase
O corpo já começa a entrar em um sono profundo, no qual as ondas cerebrais diminuem o ritmo.

Quarta fase
Sono profundo. O corpo repõe as energias do desgaste diário. O organismo libera os hormônios ligados ao crescimento e executa o processo de recuperação de células e órgãos.

Quinta fase
Quando a atividade do cérebro acelera e inicia o processo de formação dos sonhos.
É o estágio em que o cérebro faz um tipo de faxina na memória, guarda as informações
importantes recebidas durante o dia e joga fora as desnecessárias.

Na avaliação do médico, a falta de sono pode, associada a outros fatores como questões pessoais e genéticas, levar a problemas ligados à saúde mental. "É comum o aparecimento de transtornos de humor, entre eles a depressão e a Síndrome de Burnout", advertiu.

Alertas do corpo

Sintomas que antecedem quadros mais graves como ansiedade, desânimo, irritabilidade, baixa autoestima, dificuldade de dormir, palpitação e fadiga, entre outros, devem ser observados. É necessário ficar de olho nos sinais manifestados pelo corpo, complementa o especialista.

No entanto, mesmo com a elevação no número de relatos, minimizar as primeiras ocorrências, ou não lhes dar a devida atenção, é mais comum do que se imagina. Vieira enfatiza que ainda hoje as doenças relacionadas à saúde mental são estigmatizadas pela população. Mesmo com tantos avanços nos estudos dos casos, o desconhecimento da população ainda se mantém forte.

Uma vida profissional desgastante e sobrecarregada pode levar o indivíduo a desenvolver um quadro de esgotamento físico e mental conhecido como a doença o século 21, a Síndrome de Burnout.

A exaustão especificamente relacionada ao ambiente de trabalho se tornou motivo de preocupação em todo o planeta e, não por acaso, passou a constar no documento de referência de doenças usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o ICD-10, ainda na década de 1990. Nele, o burnout se enquadra na categoria de "problemas relacionados a dificuldades de gestão da vida". Sua definição é breve e direta: estado de exaustão vital.

Ainda segundo a entidade internacional, problemas associados à saúde mental no trabalho acarretam queda de produtividade, que resulta em perda de US$ 1 trilhão por ano no mundo. No Brasil, conforme estudo da Escola de Economia de Londres de 2016, a depressão no meio laboral faz o país ter prejuízo de US$ 63,3 bilhões, o que o torna o vice-líder nesse ranking negativo, atrás apenas dos Estados Unidos, onde o mal é considerado problema de saúde pública.

"É o que eu digo aos meus pacientes: o descanso é uma necessidade física e psíquica. É o momento em que recarregamos nossas energias"
Rodrigo Eustáquio Teles Vieira, médico psiquiatra e professor universitário

Ainda no Brasil, a Associação Internacional de Gestão de Estresse estima que 32% dos profissionais padeçam desse esgotamento.

"A síndrome vem sendo estudada desde a década de 1970, e a tendência é que um número maior de trabalhadores sofram com ela, pois o mundo corporativo cobra cada vez mais resultados, e a pressão só tende a aumentar", avalia a psicóloga e analista de RH Magda de Oliveira Costa.

A psicóloga ainda pontua que, segundo a OMS, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo até 2020, e o trabalhador exposto de forma prolongada aos estressores emocionais oriundos do quadro organizacional pode vir a desenvolver a sucumbir à agressiva estafa.

De acordo com a psicóloga os sintomas da síndrome de burnout podem ser fisiológicos, psicológicos e na conduta organizacional. No primeiro, ocorrem cansaço, fadiga, distúrbios do sono, falta de apetite e dores musculares e de cabeça.

Cinco dicas importantes para o seu bem-estar 
Transforme momentos de descanso em algo benéfico para sua mente e seu corpo!

Não tenha vergonha do lazer
Ser um workaholic é prejudicial. Se não agora, com certeza no futuro.

Crie momentos de descanso
Organize seus compromissos e se obrigue a momentos de lazer e descanso na sua agenda.

Mexa-se
Crie uma rotina de exercícios! Vença a preguiça.

Estimule o ócio criativo
Fuja de sentimentos que aumentam a ansiedade e sabotam o descanso. Exercite a mente com atividades que dão prazer!

Regule seu sono
Tenha boas noites de sono. Não vale acordar com a sensação de que está mais cansado do que quando se deitou.

Na área psicológica, verificam-se sentimentos de irritabilidade, ansiedade, depressão, frustração e respostas rígidas e inflexíveis. "Na conduta aparecem expressões de hostilidade, incapacidade para se concentrar no trabalho, aumento de conflitos interpessoais, ausência ao local de serviço, fazendo longas pausas de descanso, aumento do absenteísmo, apatia frente à empresa, baixa qualidade do trabalho, com maior probabilidade de cometer erros", conclui Magda.

Quase a metade da população do Brasil não tem o repouso adequado. Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Neurofisiologia, com 22.518 pessoas, constatou que 45% dormem mal, 32% demoram muito tempo para iniciar o sono, e 52% acordam cansados.

Na América Latina, a população está consciente do impacto do sono sobre a saúde e o bem-estar geral, no entanto, a maioria dorme menos que o recomendado, em média sete a oito horas, e sem obedecer a um horário fixo para se deitar. Essas e outras constatações foram reveladas em "Dormir Bem, Bom para a Saúde: um olhar global sobre a nossa persistente falta de sono", estudo da Royal Philips (NYSE: PHG, AEX: PHIA).

Ainda de acordo com o levantamento, o sono é mencionado como um hábito que afeta a saúde geral e o bem-estar no Brasil (68%) e Argentina (54%), e está entre os principais fatores na Colômbia (61%) e México (74%), assim como a prática de exercícios físicos e segurança financeira.

Com apenas uma noite mal dormida, os latino-americanos mencionaram como consequência cansaço (56%), falta de concentração (45%) e dores físicas como de cabeça, de pescoço e cólicas (43%). 

Então, relaxe, durma bem e viva melhor!


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Segunda, 18 Outubro 2021

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